A maior beleza das aves está na sua liberdade!
Muitas coisas o pássaro diria, se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria, vendo tanta aflição.
E a tua mão, tremendo, lhe abriria a porta da prisão...
Sexta-feira, 4 de Julho de 2014
Morreu-me uma andorinha

A pequena andorinha, a esvoaçar no chão,

acariciei um pouco, aconcheguei na mão.

No ninho a coloquei, para que a alimentassem

os pais que ali andavam; gatos não a caçassem.

 

Franzina, insegura, chamava, mal comia.

A irmã, bem maior, com ela competia.

As leis da natureza custam-me a entender.

Lágrimas, rebeldia, uma vida a sofrer.

 

Mais um dia passou. A irmã já voava.

E ela sempre no chão... Num ramo a colocava.

Numa gaiola, à noite, junto aos pais a deixei.

 

Meti-lhe dentro um ninho, e por ela rezei.

Morreu uma andorinha, no céu já não chilreia.

O mundo desilude. A natureza é feia?

 

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4/07/2014

Laura B. Martins
Soc. Port. Autores nº 20958

 

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Anotação ao poema Morreu-me uma andorinha

 

Só uma anotação sobre o drama das andorinhas e a realidade dos dramas quotidianos que todos enfrentamos.

Para uns é mais fácil enquanto para outros... é devastador.

 

Sei que muitos não entendem esta dor e comentam que foi «apenas» uma andorinha. Para mim, foi uma pessoa de família.

Elas vivem aqui metade do ano e fazem muita companhia. Adoro o seu chilreio e as suas conversas umas com as outras. 

Reconheço os seus pios. Se a gata anda por ali perto, elas piam forte a chamar por mim para retirar a gata. Assim que a levo, elas calam-se.

 

Este casal de andorinhas, neste ano tiveram uma primeira ninhada de 4 andorinhas mas perderam toda a 2ª ninhada de 3. 

Continuam a vir dormir no mesmo local onde estava o ninho, mas vêm sós. 

A primeira andorinha estava morta no ninho, ainda muito pequenina. Fui eu que a retirei de lá. 

A segunda foi esta desgraça relatada no poema. Fiquei a pensar se ela teria morrido mais depressa por estar aprisionada. Andorinha não é passarinho de gaiola. Mas se a deixasse no ninho, ela vinha para o chão novamente, sem defesa e com o frio da noite, desprotegida. 

Esperava soltá-la no outro dia de manhã cedo. 

A 3ª andorinha da ninhada, já voava mais ou menos mas nessa altura é muito fácil serem caçadas pelos gatos porque se cansam e poisam em qualquer lugar, mesmo no chão e não possuem a ligeireza das adultas. 

Só sei que ela não voltou com os pais para o ninho, anteontem à noite. Eles ficaram lá sozinhos e assim tem sido mesmo durante o dia. Vejo-os por aqui pousados, sempre sós. 

É muito triste!

 

Quando as ninhadas já voam bem, voltam aos ninhos durante um tempo; depois abandonam e vão dormir para outro lado. Aqui, na minha casa, fazem os ninhos e como meto por baixo uma rede e um plástico grande para não sujarem o chão, elas têm sempre espaço de sobra e ficam por aqui até final de Setembro, quando emigram.

 

Gostaria de ter escrito também um poema sobre este assunto mas não fui capaz. Lamento!

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4/07/2014

Laura B. Martins 


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publicado por LauraBM às 01:01
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