A maior beleza das aves está na sua liberdade!
Muitas coisas o pássaro diria, se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria, vendo tanta aflição.
E a tua mão, tremendo, lhe abriria a porta da prisão...
Domingo, 5 de Fevereiro de 2006
Eu e o pinguim

Angela_pinguim.jpg- Oi, amiguinho... Você não é um Pinguim? O que está fazendo, sozinho, numa praia do Rio de Janeiro?
- Algumas vezes, sou levado por correntes marinhas e acabo conhecendo pessoas e lugares novos.
- Confesso que estou com medo... Você morde?
- Só quando ameaçado. Eu me alimento de peixes, camarões e polvos.
Não fique preocupada, você não corre risco algum.
- É um prazer conhecê-lo pessoalmente! Você é mesmo uma gracinha!
Não sabia que era coberto de penas...
- Na verdade, eu sou um pássaro. Tenho mais penas do que a maioria deles. Sou coberto de penas macias por baixo e de penas externas sobrepostas, o que mantém o calor do meu corpo em lugares muito frios.
Tenho uma glândula, que produz um óleo lubrificante para impermeabilizar as penas e conservar minha pele seca.
Como outras aves marinhas, também temos glândulas que ajudam a livrar nosso corpo do excesso de sal. Estas glândulas são eficazes e permitem que bebamos água do mar sem qualquer efeito nocivo.
- Fantástico!!! Nunca iria imaginar uma coisa dessas...
- Tem mais: a minha camuflagem...
As penas pretas das minhas costas misturam-se à escuridão das profundezas do oceano e impedem que eu seja visto por algum predador acima de mim. E as penas claras do peito e da barriga confundem-se com a superfície clara do mar quando me olham por baixo. Isso evita que meu corpo seja visto por meus inimigos.
As penas escuras das costas, além de protecção contra ameaças, auxiliam a absorver o calor do sol, aumentando a temperatura do meu corpo.
O sistema circulatório dos pinguins se ajusta para conservar ou liberar o calor do corpo, e assim manter uma temperatura estável, necessária à nossa sobrevivência.
Quando vivemos em climas mais frios, temos a tendência a ter mais penas e maior densidade de gordura do que os que vivem em climas mais mornos.
- A Natureza é sábia, né? Você é uma criatura bem interessante.
Conte-me mais sobre sua vida...
- Modéstia à parte, nadamos muito bem. Voamos debaixo da água. Passamos a maior parte de nosso tempo no mar. Nossos corpos são apropriados para uma natação eficiente, com uma velocidade média na água de, aproximadamente, 15 milhas por hora.
O corpo do pinguim tem forma aerodinâmica, adequada à natação. Um pinguim tem cabeça grande, um bico comprido, uma garganta curta e grossa, um corpo alongado, uma cauda curta e asas diferentes. Temos "pés de pato", apropriados para ganhar impulso dentro da água e para andar na terra.
- A sua voz parece um latido... Se eu contar, ninguém vai acreditar em mim... rsss. Você é muito fofo! Como é a sua família? Será que são simpáticos como você?
- Posso tocar em você, enquanto conta sobre sua espécie?
- Claro!!! Gosto muito de gente. Nós, os pinguins, somos muito sociáveis.
Normalmente, vivemos em grupos bem grandes.
Apesar da grande população de pinguins, nossas fêmeas colocam apenas um ovo. O período de incubação é de cinco a seis semanas. Os machos se revezam com as fêmeas na caça de alimentos, para que um possa dar sempre protecção ao ovo.
Valorizamos muito nossas famílias.
Hoje, são reconhecidas dezassete espécies de pinguins no mundo, cada uma com características marcantes.
Nosso Habitat é o hemisfério do sul (sul do equador), nos climas que variam dos trópicos mornos às geleiras da Antárctida.
- Como conseguem viver em locais tão frios?
Como as baleias, temos uma camada de gordura sob nossa pele chamada, apropriadamente, de "gordura de baleia", que nos aquece. Ela mantém isolamento térmico na água fria, mas, não é bastante para manter a temperatura de corpo estável no mar por muito tempo. Os pinguins precisam permanecer activos, quando estão na água, para gerar calor ao corpo.
- Você sabia que, uma vez por ano, substituímos as penas velhas por novas?
A pena nova vai crescendo debaixo da velha, deslocando-a para fora. Quando a nova está crescida, a velha cai.
Durante a muda de penas, perdemos nossa protecção de isolamento térmico e impermeabilidade e, por isso, somos obrigados a permanecer fora da água até que as penas sejam totalmente substituídas.
Uma camada de gordura, acumulada na época de muda, garante-nos energia, até que possamos entrar na água novamente em busca de comida.
- Já descansei, tomei emprestado o seu tempo e, agora,  preciso ir andando... Minha PINGUIM está esperando por mim na próxima praia.
- Peraí! Deixa eu prender meu cabelo, que eu quero lhe dar um abraço bem apertado...
Desejo que encontre logo a sua PINGUIM e façam, juntos, lindos passeios por nossas praias. Tudo de bom prá você, amiguinho!
Espero que a gente volte a se ver...
- Tchau, tchau, pinguinzinho! Não vou esquecer você!
- ATÉ UM DIA, ANGELA!!!
---------------------------
Angela Moura
Foto: Angela Moura
www.angelamoura.com
©1976
Búzios - Rio de Janeiro - BRASIL


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