A maior beleza das aves está na sua liberdade!
Muitas coisas o pássaro diria, se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria, vendo tanta aflição.
E a tua mão, tremendo, lhe abriria a porta da prisão...

Sábado, 5 de Julho de 2014
Não volte passarinho

Hoje me abateu uma grande tristeza!... Cheguei em casa eram quase seis horas. No meio das folhas caídas de uma mangueira, junto à janela, vi algo se mexendo! Era um passarinho, sangrava muito pelo pequeno bico... Procurei ajudá-lo, estava muito assustado, e logo se acalmou, mas percebi que respirava com dificuldade. Dei-lhe água e lavei-lhe o bico para retirar o sangue e desobstruir as vias respiratórias. Coloquei-o numa caixa de papelão com toalhas de papel, mas logo notei que só me restava confortá-lo nos seus últimos instantes. Não tinha ferimentos externos... creio que se chocou contra a vidraça devido aos reflexos do sol. Morreu em seguida!...  Deixou-me essa tristeza toda e um sentimento de impotência que não tem tamanho!

         

Esse mundo é mesmo estranho, passarinho! Você voou alegre por todo o dia, cantou, procurou seu alimento, limpou seu biquinho diversas vezes antes de voar de novo, alegre e ágil na sua inocência. Quando a noite se avizinhava você procurava o refúgio das árvores para o merecido descanso... De repente choca-se contra a vidraça que ainda refletia a luz do sol e o azul do céu!...  Vai delicado passarinho, estenda suas asas pela vastidão dos horizontes, procure por um céu diferente, onde exista o legítimo azul e a verdadeira luz, e não falsos reflexos que enganam, penalizam e matam. Suba para um mundo  menos cruel, onde não exista nem o bem nem o mal e nem a unidade das duas coisas. Um lugar onde a inocência, a bondade e a justiça não sejam somente promessas vãs... simples reflexos na vidraça. Onde as virtudes não sejam  agredidas e vilipendiadas, onde a vida inocente seja respeitada, onde a procura pela vida não leve ao encontro com a morte. E depois não volte mais aqui... Por favor passarinho! Não quero vê-lo sofrer novamente. Ah!... Não se esqueça! Mande-me pelo vento os seus sinais, pra me ensinar o mapa do caminho.

----------------------------------  

J.R.Cônsoli. - 19-04-2004.


TAGS - temas do blog
(clique em cima):
,

publicado por LauraBM às 23:55
link do post | E custa, comentar neste blog? | Veja o que os outros disseram (1)
 O que é?

Sexta-feira, 4 de Julho de 2014
Morreu-me uma andorinha

A pequena andorinha, a esvoaçar no chão,

acariciei um pouco, aconcheguei na mão.

No ninho a coloquei, para que a alimentassem

os pais que ali andavam; gatos não a caçassem.

 

Franzina, insegura, chamava, mal comia.

A irmã, bem maior, com ela competia.

As leis da natureza custam-me a entender.

Lágrimas, rebeldia, uma vida a sofrer.

 

Mais um dia passou. A irmã já voava.

E ela sempre no chão... Num ramo a colocava.

Numa gaiola, à noite, junto aos pais a deixei.

 

Meti-lhe dentro um ninho, e por ela rezei.

Morreu uma andorinha, no céu já não chilreia.

O mundo desilude. A natureza é feia?

 

---------------------

4/07/2014

Laura B. Martins
Soc. Port. Autores nº 20958

 

=============================

 

 

Anotação ao poema Morreu-me uma andorinha

 

Só uma anotação sobre o drama das andorinhas e a realidade dos dramas quotidianos que todos enfrentamos.

Para uns é mais fácil enquanto para outros... é devastador.

 

Sei que muitos não entendem esta dor e comentam que foi «apenas» uma andorinha. Para mim, foi uma pessoa de família.

Elas vivem aqui metade do ano e fazem muita companhia. Adoro o seu chilreio e as suas conversas umas com as outras. 

Reconheço os seus pios. Se a gata anda por ali perto, elas piam forte a chamar por mim para retirar a gata. Assim que a levo, elas calam-se.

 

Este casal de andorinhas, neste ano tiveram uma primeira ninhada de 4 andorinhas mas perderam toda a 2ª ninhada de 3. 

Continuam a vir dormir no mesmo local onde estava o ninho, mas vêm sós. 

A primeira andorinha estava morta no ninho, ainda muito pequenina. Fui eu que a retirei de lá. 

A segunda foi esta desgraça relatada no poema. Fiquei a pensar se ela teria morrido mais depressa por estar aprisionada. Andorinha não é passarinho de gaiola. Mas se a deixasse no ninho, ela vinha para o chão novamente, sem defesa e com o frio da noite, desprotegida. 

Esperava soltá-la no outro dia de manhã cedo. 

A 3ª andorinha da ninhada, já voava mais ou menos mas nessa altura é muito fácil serem caçadas pelos gatos porque se cansam e poisam em qualquer lugar, mesmo no chão e não possuem a ligeireza das adultas. 

Só sei que ela não voltou com os pais para o ninho, anteontem à noite. Eles ficaram lá sozinhos e assim tem sido mesmo durante o dia. Vejo-os por aqui pousados, sempre sós. 

É muito triste!

 

Quando as ninhadas já voam bem, voltam aos ninhos durante um tempo; depois abandonam e vão dormir para outro lado. Aqui, na minha casa, fazem os ninhos e como meto por baixo uma rede e um plástico grande para não sujarem o chão, elas têm sempre espaço de sobra e ficam por aqui até final de Setembro, quando emigram.

 

Gostaria de ter escrito também um poema sobre este assunto mas não fui capaz. Lamento!

--------------------

4/07/2014

Laura B. Martins 


TAGS - temas do blog
(clique em cima):
,

publicado por LauraBM às 01:01
link do post | E custa, comentar neste blog?
 O que é?

Domingo, 18 de Setembro de 2011
Periquito PECK...

 

 

(A única foto que tenho de ti - na mão do Bernardo) Somente hoje, de forma inadequada, fiquei sabendo de tua partida, meu querido Peck.

Tenho certeza de que já estás em companhia de São Francisco de Assis, que te acolheu muito bem, como faz com todos os que vão para a vida eterna.

 

Gostava demais de ti, meu querido periquito! E, quando ficavas aqui em casa, para as viagens de teus donos, toda tarde ia até tua gaiola bater um papo contigo, levar-te alguma coisinha para que ficasses bicando, de forma apressada - como era teu costume. Da última vez que ficaste aqui, foi uma temporada grande, para arrumação do apartamento. Meu marido, que tratava de ti, limpava a gaiola, colocava água e alpiste e também levava-te à cozinha - a fim de que andasses um pouco - e me avisava: "cuidado, que o Peck está solto, passeando"... Eu sentava e tu vinhas bicar meu pé, a unha, era uma delícia.

 

Partiste dia 5. Meu filho e meu marido combinaram de não me contar, porque sabem que não posso ter emoções fortes. Cláudio, veterinário e cunhado de meu filho, tratou de ti mas, já tinhas 9 anos - e me parece que era uma idade avançada para tua vida, não sei bem...

Nasceste encomendado para Bernardo que ficou muito feliz quando chegaste. Eras ensinado: andavas, corrias pelo corpo dele, que era uma criança. Enfim, eras a novidade da casa. Todos ficaram muito tristes com tua partida e te enterraram no jardim do prédio, onde eles devem morar até o fim da vida.

Apenas teu corpo ficou, lá, meu lindinho azul e branco. Tua alma - feliz e angelical - já está na turma de bichinhos de São Francisco de Assis, que sempre é o que recebe os animais e cuida em acomodá-los lá no lugar maravilhoso onde ele vive. Mas eu chorei demais. Parece incrível que a gente sente tanto a partida de um periquito, mais talvez, do que de um ser humano que falece. Eu estava almoçando e, sem mais nem menos, disse ao meu marido:

"eu não me despedi do Peck quando ele foi embora" (desta permanência de 3 meses). Ele, sem pensar que o momento era IMPRÓPRIO respondeu: "ELE MORREU. O PECK MORREU!"

Fiquei atônita e as lágrimas escorriam de meus olhos sem que eu as pudesse conter. Passei mal a tarde toda.

 

O mundo em que estamos vivendo está violento demais. Os homens estão destruindo a si próprios e não percebem. Os animais, de toda espécie, são mais carinhosos, entre si, e com os humanos também. Penso seja por isso que a gente chora mais quando um animal morre, do que quando morre uma pessoa.

 

Tua alma, Peck, não tinha pecado, raiva, ódio de ninguém. Eras como se fosses um anjinho no corpo de um periquito que teve a felicidade de ir parar onde foi, na casa de meu filho. Lá, ia muita gente de Bom Sucesso. E, amigos e parentes, todos gostavam de ti. Eu só te via quando eles viajavam, mas foi o bastante para querer-te tanto e ficar abaladíssima com tua partida.

 

Adeus, Peck! Ou, até qualquer hora...

----------------------------

Jandyra Adami

Belo Horizonte, 18 de setembro/2011.


TAGS - temas do blog
(clique em cima):
,

publicado por LauraBM às 00:32
link do post | E custa, comentar neste blog? | Veja o que os outros disseram (1)
 O que é?

R O D A P É

Frase Especial

"Não há crueldade pior que pensar e acreditar que os animais existem para servir o Homem."
--------------------
Gabriela Toledo

Ama a Natureza?

"Então, não compre artesanato que contenha partes de animais.
Se ninguém comprar, os traficantes terão que mudar de atividade e milhões de animais deixarão de ser sacrificados."

Algo mais sobre mim
TAGS - temas do blog
(clique em cima)

00-especial

000-homenagens

01-animais do ar

02-animais do mar

03-animais da terra

04-eles são assim

04-fábulas

05-animais de amigos

06-saúde animal

07-artigos divertidos

08-pense nisto

09-poemas outros

10-crónicas-laura

10-poemas-laura

11-ternuras e piadas

12-datas especiais

12-natal

todas as tags

Meter o nariz no blog...
 
subscrever feeds
Novidades no blog

Não volte passarinho

Morreu-me uma andorinha

Periquito PECK...

Antiguidades óptimas
Também gostará de:

10 blogs para conhecer no...

Sua presença basta

Poema - Mais vale guardar...

Links especiais:
Fazer olhinhos